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VOCÊ quer ter alguém?!

Confesso que uma das profissões mais desafiadora em tempos de pandemia é a de ser psicoterapeuta!



Mudou o setting e o holding, o ambiente e o acolhimento. O enquadre em pleno desespero, tem um só tom; solidão, vazio, angústia e tristeza.


O analista como naturalmente já ocupa o lugar do Outro, pensei em contratransferência: “Vou fazer psicoterapia em Grupo on-line”, mas o Conselho de Psicologia na resolução CFP 011/2012 não regulamenta a terapia em grupo online. E todas as propostas de uma mente inquieta se calaram, pois no fundo o que as pessoas precisam não está no Outro, ou no externo.


Pessoas ficam desconfortáveis com relações interpessoais mais intimas, pois provoca ansiedade e incômodo, nessa época de isolamento social querem alguém.


E estruturas fóbicas com suas fragilidades, medos e tentativa de estabilidade psíquicas recorrem ao externo para tentar de fundir com o outro, repetindo suas angústias originárias na relação primária.


Aqueles que por distorção do Self se “casam” com outros inflados e exteriorizados para amortecer suas dificuldades e frieza emocional , poderão continuar distantes de si mesmo apesar da companhia de alguém.


Todos estão querendo companheiros(as), como se a filiação desesperada conseguisse sanar e aplacar os vazios da alma e as inseguranças da existência.


É bom relembrar que segundo Lacan em um seminário ele afirma que a pessoa que não suporta chegar na análise até o fim não é suficientemente forte para suportar a satisfação orgástica se não tiver um eu(mói) forte.

Ou seja narcisistas e outros imaturos afetivamente não terão uma vida sexual plena mesmo querendo se casar e achando seus “pares”.


O que fazer? Como viver com a austeridade da pandemia? Freud em algumas notas na passagem Novas Conferencias Introdutórias diz que a finalidade da psicanálise é “fortalecer o Eu, torna-lo mais independente...ampliar seu campo de percepção e expandir sua organização para que possa apropriar-se de novas porções do Isso” e acrescentou: “Onde era Isso, deve tornar-se Eu”. Diminuir conflitos no interior da alma, enriquecimento interior, e constante desenvolvimento no conceito de impulsões de vida e de morte que há em nós.


Não adianta ter uma pessoa ao lado pensando que Isso irá: tirá-lo(a) da solidão, vazio, tristeza, depressão, falta de propósito, ausência de brilho, sentido...


Uma vida satisfatória é alicerçada pelo enriquecimento emocional, coerência, amadurecimento e conexão com o divino.


A existência superficial e narcisista foge da realidade e priva a vida daquilo que confere a cada momento dela o significado ímpar- o fato de que poderá ser o nosso último momento. O conhecimento com os aspectos sombrios da vida nos dá consciência emergencial de garantir uma vida melhor e mais intensa.


Para Freud a vida boa, é aquela repleta de significado, através de relações duradouras, intercambiáveis e que se nutrem mutualmente, possibilitando a satisfação e não exploração, comodismo de quem deseja carona para viver e muito menos na base do desespero ou cobrança social.


Alguns entram em órbitas caóticas e vão um relacionamentos para outro sem perceber suas escolhas. Cuidado! Invista em se achar primeiro. O caminho para o Eu Interior é uma viagem espetacular.




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