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PERDAS e mais PERDAS



Nos últimos 2 anos muitos perderam esposa, marido, mãe, pai, irmãos, avós e parentes. Outros perderam animais de estimação, emprego e até mesmos a própria pátria. As perdas continuam... o comércio, o Hotel, viagens, a clínica, recursos financeiros, status, a saúde devido as sequelas do vírus pandêmico, o contato social, a escola, a praça, a academia, o contato com os grupos... as perdas de perspectivas, confiança, respeito, segurança e o prazer.


Por que é tão difícil perder? Por que internamente temos que elaborar o ‘buraco’ que fica em nosso coração? Como fazer isso?


A psicanálise nos presenteia com muitas explicações. Existe várias teorias que se interligam a teoria do Luto, teoria do Apego e a teoria do Vínculo.


Lacan disse “ Nenhum homem é uma ilha” mesmo alguns desejando ser, pois blindar os sentimentos é um recurso da dor sendo passageiro na grande maioria das vezes, contudo é também do narcisista e de estruturas fragilizadas.


No geral sentimos e sofremos quando perdemos. Freud, no começo do desenvolvimento de sua teoria, sugeriu a não existência de uma psicologia individual, mas social, que integrasse aspectos múltiplos que interagem na realidade de forma sistêmica.


A partir da perspectiva de que toda Psicologia é Social, Henrique Pichon-Rivière constrói a Teoria do Vínculo, referendando-o como o esquema referencial fundamental e básico, definindo-a como vincular e intravincular. Se um membro de nossa família, ou grupo social sofre nós também sofremos. Isso independe se a pessoa gosta ou não de nós.


O vínculo faz parte da nossa vida, ainda na vida intrauterina quando começa a nossa relação com o mundo externo. Nessa perspectiva, começamos a estabelecer vínculos, inicialmente com a voz de nossos pais (e familiares). Essa é a Teoria do Vínculo. O ser humano busca proximidade em busca pela segurança e apoio, quer principalmente nos momentos de adversidade, quer seja para proporcionar uma capacidade funcional da personalidade o contato com os seus.


Teoria do Luto: As vivências de perda apresentam-se por vezes como experiências de difícil elaboração. O luto, como um processo relacionado à perda, pode manifestar-se de diferentes formas na vida das pessoas. A elaboração requer tempo e é um trabalho doloroso, sendo descrito por Freud em Luto e Melancolia (1917) ele denomina: Trauerarbeit, o trabalho do luto.


Esse brilhante teórico em um texto publicado em 1915, intitulado Reflexões para os Tempos de Guerra e Morte, Freud apresenta a relação entre perda e morte, salientando que essa última passou a ser refletida pelo homem a partir de sentimentos ambíguos em relação ao outro. Esses sentimentos oriundos da perda iriam, por sua vez, influenciar no modo como o luto seria vivenciado.


Nessa publicação, Freud (1915) expressa que a morte de um inimigo seria mais bem compreendida – considerando os tempos primitivos em que o homem necessitava, por vezes, eliminar o outro para sobreviver – do que a perda de um ente querido.


É, segundo Freud (1915),por querer evitar a vivência de perda de um ente querido que o homem criou a ideia de continuidade e permanência, de existência de uma vida após a morte.


Teoria do Apego: foi criada pelo psicólogo, psiquiatra e psicanalista r J. Bowlby (1989) riquíssima que escreveu muitos livros, ele considerou o apego como um mecanismo básico dos seres humanos. Ele concluiu que o apego é um comportamento biologicamente programado, como o mecanismo de alimentação e da sexualidade, e é considerado como um sistema de controle homeostático, que funciona dentro de um contexto de outros sistemas de controle comportamentais.


O papel do apego na vida dos seres humanos envolve o conhecimento de que uma figura de apego está disponível e oferece respostas, proporcionando um sentimento de segurança que é fortificador da relação com outros.


Conclusão: Viemos ao mundo para formar laços com os demais. Além de ser prazeroso e benéfico para a nossa saúde mental, esses relacionamentos são uma forma de garantirmos a nossa sobrevivência.


Quando nos distanciamos desnecessariamente isso causa; insegurança, angústia, crise, solidão e tristeza. E a Separação conjugal precipitada causa muita dor, casais resolvam suas divergências.


E quando a morte que nos separa de quem amamos? Revolta e o sofrimento só é consolado com a esperança segura de que todos voltarão a vida, já que o Criador da Vida do Universo nos garante. Leia a Bíblia.


Referências:

BOWLBY, J. (1940) Apego e perda: Apego - A natureza do vínculo. São Paulo: Martins Fontes, vol. 1.


FREUD, S. (c1917). Luto e Melancolia, (Sigmund Freud Obras Completas, pp. 127-144). Brasil: Companhia das Letras.

FREUD, S. (1914-1916). Reflexões para os tempos de guerra e morte. (História do Movimento psicanalítico, artigos sobre metapsicologia e outros trabalhos, Vol. XIV). Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud


PICHON-RIVIERE E. Teoria do Vínculo. São Paulo:Martins Fontes,1998.

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