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A Pandemia trouxe a Depressão?!

Atualizado: 19 de mai. de 2021

Noto todos correrem atrás de novos medicamentos, terapias alternativas, psicoterapias mais eficientes para sanar suas dores, pesares, perdas, vazios, falhas psíquicas e desespero emocional.



A inaptidão social, conjugal e familiar nesse último ano de Pandemia escancarou as fragilidades dos relacionamentos e desmoronou o que era instável. Vou a princípio recorrer a Psicanálise e sua explicação do “Porque” de tanta depressão, depois distinguir Depressão de Melancolia e por último como a Psiquiatria classifica a Depressão.


Para Freud a melancolia é uma psiconeurose narcísica e a depressão um sintoma que pode estar presente em qualquer estrutura psíquica. Assim, as neuroses seriam caracterizadas por um conflito entre o eu e o id, as psicoses por um conflito entre o eu e a realidade e as neuroses narcísicas por um conflito entre o eu e o supereu.


Esse teórico percebe que a cultura interfere na subjetividade causando uma mudança na estrutura dos sentimentos, ou seja, a vida pós-moderna deixa o indivíduo deprimido porque ele não consegue lidar com a demanda social, era do narciscismo, do espetáculo, fugacidade tecnológica, rapidez pós-moderna.


Todas as novidades que as transformações sociais, econômicas e culturais alcançadas na contemporaneidade modificaram também as formas de constituição da subjetividade.


Essas transformações são consequências da passagem da modernidade para a pós-modernidade, que é caracterizada pela presença da heterogeneidade e da diferença, tendo como características fundamentais a fragmentação, a indeterminação e a desconfiança nos discursos universais. Tudo isso implica numa mudança profunda na estrutura do sentimento (Harvey, 1989).


Vivemos numa era marcada pelo questionamento das certezas absolutas, foi destituído Deus(Pai Supremo), desconsideram grandes narrativas, o que por um lado deixa o indivíduo frágil, vulnerável, desbussolado (Lipovetsky2004), mas por outro lado, amplia as possibilidades de surgimento de outras interpretações. O eixo mudou.


Dentre os fatores que contribuíram para essas mudanças está a transformações nos laços sociais como a passagem da família extensa para a família nuclear (Birman, 2007), vemos casais e famílias solitárias alienadas em si achando que esse isolamento é o centro da existência.


Assistimos nas últimas décadas a valorização do individualismo competitivo (Lasch, 1983), da sociedade do espetáculo, com ênfase no mundo das imagens, do consumo exacerbado e do desenvolvimento tecnológico e científico (Debord,1997).

A alta valorização do individualismo, do mundo das imagens e do consumo, aliado ao volume excessivo de informações, substitui a troca de experiências, causando o empobrecimento da vida interior e, consequentemente, a dificuldade de simbolização.


Nesse sentido, segundo Debord (1997), o sujeito passa a valer pelo que aparenta ser e ter. Assim faz-se necessário buscar a melhor performance possível. Nesse contexto, assistimos a uma proliferação de novas psicopatologias como os estados narcisistas, casos limites (borderlines), etc.


Segundo Celes (2009), Green (1983/1988) por meio do conceito de mãe morta, busca discriminar modos do narcisismo que possam dar sustentação à compreensão das formas psicopatológicas contemporâneas.

Vou distinguir nos próximos artigos terá a distinção de Depressão de Melancolia.


Referência:

Birman, J. (2007). Laços e desenlaces na contemporaneidade. Jornal de Psicanálise. 40(72), 47-62.

Celes, L. A. M. (2009). Clínica Psicanalítica: Aproximações Histórico-Conceituais e Perspectivas Futuras. Psicologia:Teoria e Pesquisa, 26(l), 65-80.

Ferraz, F. C. (2003). A loucura suprimida: normopatia, pósmodernidade e instituições psicanalíticas. In L. B. Fucks, & F.C. Ferraz (Eds.), Desafios para a psicanálise contemporânea (pp. 79-90). São Paulo: Escuta.

Harvey, D. (1992). Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural (A. U. Sobral, & M. S. Gonçalves, Trads.). São Paulo: Loyola

Lasch, C. (1983). A Cultura do Narcisismo: A Vida Americana numa Era de Esperanças em Declínio (E. Pavaneli, Trad.).Rio de Janeiro: Imago.

Lipovetsky, G. & Charles, S. (2004). Os tempos hipermodernos.São Paulo: Bacarolla


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