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Compaixão em tempos de crises



Mesmo sendo psicanalista investigo outras teorias da psicologia e tento perceber a intenção e contribuição de muitos.


A Psicologia Positiva se emprenha em melhorar a qualidade de vida e prevenir psicopatologias provindas de limitações e de uma vida sem sentido, sim quem não tem autoconhecimento, contato com o Ser Interior fica a deriva sem nexo de existência e pouca espiritualidade.


Diferente da tradicional abordagem psicológica focada em tentar adequar o comportamento desviante e em promover o desenvolvimento das virtudes e potencialidades humanas.


Uma Professora da Universidade de Austin no Texas especializada em Desenvolvimento Humana escreveu alguns livros sobre Compaixão. Abaixo o resumo de alguns de seus trabalhos:


Autocompaixão


A autocompaixão envolve direcionar a si próprio o mesmo tipo de cuidado, bondade e compaixão transmitidos às pessoas queridas que estão sofrendo. “ A compaixão é um sentimento de preocupação que surge quando somos confrontados com o sofrimento dos outros e nos sentimos motivados para aliviar esse sofrimento”.


Mas, diz ela, se não desenvolvermos uma mentalidade de compaixão fundamental para com as nossas próprias lutas, “então não desenvolveremos os recursos adequados dentro de nós mesmos para poder dar mais aos outros.”


Auto-compaixão não é auto-piedade, egocentrismo ou auto-indulgência. “A coisa mais compassiva que podemos fazer por nós mesmos pode ser não comermos todo um saco de salgadinhos industrializados”, ela escreveu.


De acordo com a autora, a autocompaixão está relacionada a uma atitude emocionalmente positiva direcionada para si mesmo, que pode proteger contra as consequências negativas do autojulgamento, do isolamento social e da ruminação.


A autocompaixão é composta por três elementos: bondade consigo mesmo (versus autocrítica severa), senso de humanidade (versus isolamento social) e atenção plena (versus superidentificação ).


Segundo Kristin a bondade consigo refere-se a ser gentil e compreensivo consigo mesmo em situações de sofrimento ou fracasso, em vez de ser severamente autocrítico; o senso de humanidade diz respeito a perceber as próprias experiências como parte da experiência humana mais ampla, em vez de vê-las como separadoras e isoladoras; a atenção plena, por sua vez, está relacionada a manter pensamentos e sentimentos dolorosos em consciência equilibrada, ao invés de se identificar demais com eles.


A autocompaixão, de fato, parece associada a resultados positivos em diferentes domínios, como afetos, padrões cognitivos, realizações e conexões sociais.


No contexto brasileiro, verificou-se que a autocompaixão apresenta relações positivas e moderadas com a autoestima e a autoeficácia - o que indica que pessoas com escores mais elevados de autocompaixão também apresentam maior senso de autovalor e crença em suas capacidades de executar tarefas.


Em relação a psicopatologias, evidências indicam que a autocompaixão amortece o impacto de eventos negativos, pois as pessoas autocompassivas parecem perceber os eventos negativos de maneira a reduzir seu impacto, além de apresentarem menores níveis de depressão, ansiedade e estresse.


A autocompaixão parece bastante relevante para o enfrentamento de situações dolorosas que estão fora do controle do indivíduo, uma vez que as pessoas autocompassivas têm menor probabilidade de catastrofizar situações negativas, sentir ansiedade após um estressor e evitar tarefas desafiadoras por medo do fracasso.


Com autocompaixão, por meio do exercício da bondade consigo, do senso de humanidade e da atenção plena, é possível assumir uma posição de cuidado em relação a si mesmo, essencial para enfrentar períodos de crise.


Achei pertinente compartilhar essa Autora, visto quer faz sentido seus estudos. Do ponto e vista da Psicanálise a exigência, rigidez, perfeccionismo, excesso de disciplina e regras...fazem parte de uma Instancia psíquica do controle o Super Ego e que quando é muito severo causa DEPRESSÂO e muitos males psíquicos, físicos e nas relações.


Resumindo afrouxem um pouco as cobranças, ou seja, “pega leve” consigo e com os outros, os tempos já estão bem difíceis!!!


Referência:

Neff, K. D. (2003a). The development and validation of a scale to measure self-compassion. Self and Identity, 2, 223-250.

Neff, K. D. (2003b). Self-compassion: an alternative conceptualization of a healthy attitude toward oneself. Self and Identity, 2, 85-102.

Neff, K. D., & Germer, C. (2017). Self-compassion and psychological wellbeing. In J. Doty (Ed.), Oxford handbook of compassion science (pp.371-386). New York: Oxford University Press.

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