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Solidão e Estar só

O afastamento social não gera dor, apenas privação e restrição. Torna-se importante no meio da quarentena colocar algumas distinções entre aqueles que foram tolhidos de seus hábitos como: caminhar, pedalar, ir a academia, trabalho, festas, teatro, massagem, shows, bares, escola, casa de amigos e outras reuniões sociais.


“Solitário” é definido pelo Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary como “[estado caracterizado por] um sentimento de desconsolo ou desolação”. É um sentimento de que falta algo, de um vazio interior, e nem sempre é discernível na aparência exterior de alguém. Os solitários sentem uma pedra no coração, desamparo profundo, desespero, aflição, falta de ânimo e energia, desprazer em tudo, dificuldade de respirar, dores no corpo, insônia, problemas digestivos, dores de cabeça, nas costas e estão nesse momento pedindo socorro por desesperança.


Em momentos diferentes do atual onde existe restrição alguns já são sozinhos; casados, solteiros, homem ou mulher, idoso ou jovem. Ficar sozinho para um escritor, um artista pintando um quadro, um projetista eles vão gostar e prezam um momento solitário.


O sentimento de verdadeira solidão cresce do nosso interior, e não do exterior. As considerações de J. Lacan psicanalista afirmam que quando a pessoa está inserida no discurso capitalista e este sem o contato social sofrerá mais que o proletário, classes mais baixas que se contentam com seus filhos e restrições. O gozo de alguns está no social e pra outros a preocupação é com o que tem. Então partindo desse pressuposto as classes mais abastadas estão em maior sofrimento


Voltando para a solidão, ela é comum quando acontece um evento triste — morte, divórcio, perda de emprego, alguma tragédia. A saída é iluminamos bem o nosso mundo interior, essa solidão pode diminuir, talvez até mesmo desaparecer com o tempo, e a perda que nos afligiu pode ser superada, absorvida.


Os sentimentos emergem de nossos pensamentos. Depois que uma perda foi superada e os sentimentos que ela induziu tiverem recuado para o plano de fundo, é tempo de se dar primazia a pensamentos edificantes que lhe permitam levar avante a sua vida.


Alguns por terem um coração trancado sempre estão em movimento, muitos empregos, posições, se transferem antes de se vincularem, transitam na vida de muitos lugares sem raiz e profundidade com medo de entrega. São também solitários.


Outros o tormento da alma é mais profundo e os pensamentos parecem vozes perturbadoras, isso é doença.


Gosto de filosofia e os Iluministas, aqueles que defenderam a Razão, Pensamento, Ação, Mercantilismo e a Ciência (Locke, Voltaire, Montesquieu, Rosseau e Diderot) tiveram fins trágicos, loucura, suicídio, alcoolismo e solidão foi amiga de todos.


Outro que mesmo sem quarentena se aprofundou em um mundo solitário foi Frederich Nietzsche ele personificou o individualismo em seus últimos excessos, mas com uma energia e uma certa grandeza que muito o eleva acima dos habituais. Ele possuiu todos os defeitos do orgulho, mas também a sua qualidade suprema: o desprezo da popularidade. Conheceu a embriaguez da Solidão, mas bebeu lhe também a amargura até a última gota.


Sobrevinham-lhe cefalalgias terríveis que o desesperavam. Tinha insônias tormentosas. Os intestinos, apesar de uma dieta implacável, nunca funcionavam, detidos por uma inércia perigosa. As câimbras de estômago eram um martírio permanente. E para tudo isso, mantinha no seu pobre aposento um armário de tóxicos! Era uma série infernal de calmantes e hipnóticos que iam desde o bromureto à morfina.


Homem algum, mais do que Frederico Nietzsche, viveu tão profundamente a vida, dentro de maior solidão. Qual as águias que habitavam os altos cumes, habitou ele, sempre isolado, o seu mundo interior, povoado de angústia, crítica e avesso a pessoas e a Deus. Ele quis eleger Wagner o musico para seu amigo, contudo tentou engolfado para seu mundo escuro e o mesmo não suportou.


Esse gênio e os outros mencionados tem algo em comum, romperam com o Divino, sim negaram o Sagrado, o Transcendente o Além de Nós, vindo de um Ser Superior e Criador do Céus e da Terra. A espiritualidade é o contato(ligação) com o Criador do Universo, e ele pode ser nosso amigo.


Termino com a frase de um “lobo solitário” no seu livro onde ficou 100 dias sozinho em alto mar, atravessando o oceano atlântico, Amir Klink escreveu:


Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão. Poderá morrer de saudades, mas não estará só”

Reveja sua vida, seu Eu interior, mexa-se, crie, elabore, planeje, adote um animal de estimação, reforme seu olhar sobre as pessoas, sobre sua vida e Criador da Vida. Aproveite a Quarentena, ou procure ajuda.

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