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Sexualidade



A escuta da clínica norteia os temas que escrevo e pesquiso. Acolho com grande intensidade pessoas com problemas com a sexualidade. Assexuais, outros com dificuldade na identidade sexual, contudo o mais comum são casais com problemas sexuais, que pouco transam ou nunca transam.


Onde supostamente deveria estar bem resolvido o sexo é onde aparece as dificuldades, no leito conjugal do heterossexual, onde foi concebido sem culpa o sexo como expressão de amor, vinculo está em crise! Por que o sexo que proporciona vínculo e intimidade se tornou um problema?


Pessoas atraentes, bonitas, elegantes e sensuais, corpos magros e torneados na cama vivem o distanciamento de corpos e a falta de intimidade. Essa condição incomoda , maltrata e prejudica a relação deixando-a vulnerável. Em um mundo louco por sexo, nas baladas e bailes funk o sexo é praticado de modo quase que instintivo, animal, casual e infantil(superficial).


Vivemos tempos de sexualidade líquida. E não me refiro aos fluidos que derivam desta prática, e sim do conceito que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman popularizou, aplicando-o a todas as dimensões do ser humano, e que finca suas raízes no sistema capitalista. Relações em que a fugacidade e a falta de cumplicidade são as grandes diretrizes. Sexo de alto rendimento, desprovido de todo tipo de sensações. Algo semelhante ao que ocorreu com o pole dance quando passou de dança erótica a disciplina esportiva.


Estatísticas mostram que a libido diminuiu, especialmente entre as gerações mais jovens. Na Lua de Mel e nos primeiro anos de casamento o sexo só ocorre com súplica, chantagem, dores, obrigações, incômodos e negociação.


Onde foi parar a sexualidade? Em primeiro lugar virou bem de consumo, dá tesão comprar o melhor e mais novo, em comprar uma bolsa chanel, em ter o melhor Iphone e toda a tecnologia exibida na mídia, carros, decoração, casa, viagens...


Os casais estão olhando pornografia e se masturbando e não transam. O sexo está raro e por vezes vem com queixas, desculpas e apenas para agradar o parceiro(a), alguns a anos não fazem sexo!!! E o auto erotismo é feito ao lado da parceiros(a) na cama.


Em segundo lugar, a sexualidade foi para a boca, estados regredidos da personalidade faz com que o alimento e a bebida sejam o alívio, o prazer e o gozo. O alcoolismo aumenta, assim como a obesidade e a energia sexual declina. Muitos programas de comida, receitas... consumo de vinhos, cerejas.. e o álcool inebria, distancia do mundo e gera satisfação e uma aliança mortífera e alienante.


E por último o que impende hoje os casais de terem e usufruírem a sexualidade de modo saudável e frequente é que as pessoas estão cansadas, no final de semana o que as pessoas querem é dormir, assistir televisão, séries, campeonatos e ficarem paradas. Cade a energia? No Trabalho a verdade é que de modo mais nobre e sublime que os anteriores a sexualidade da grande maioria da pessoas está investida no trabalho, as pessoas trabalham, trabalham e trabalham. O Trabalho virou a expressão do erótico e o sexual, sendo descarga, entrega, prazer, olhar, realização, prestígio, poder e GOZO total.


A escritora Krysti Wilkinson publicou no The Huffington Post um artigo intitulado Somos a geração que não quer relações, em que analisava as novas normas que regem as interações humanas, derivadas do modelo de sociedade, produção e lazer desenhados para o novo século.


Regras que podem aplicar-se igualmente ao sexo. “Queremos a fachada de uma relação, mas não queremos o esforço que implica tê-la. Queremos andar de mãos dadas, mas não manter contato visual; queremos paquerar, mas não ter conversas sérias; queremos promessas, mas não compromisso real; queremos comemorar aniversários, mas sem os 365 dias de esforço que implicam. Queremos um ‘felizes para sempre’, mas sem nos esforçar aqui e agora. Queremos ter relações profundas, mas sem levar muito a sério. Queremos um amor de campeonato, mas não estamos dispostos a treinar (…). Queremos baixar a pessoa perfeita para nós, como se fosse um novo aplicativo que você pode se atualizar sempre que houver uma falha, guardar facilmente numa pasta e apagar quando já não for mais usar. Não queremos nos abrir; ou, o que é pior, não queremos ajudar ninguém a se abrir.”


A Psicoterapia Breve Focal pode abordar as dificuldade da vida sexual com profundidade, desbloqueando as defesas do desenvolvimento da energia sexual podendo dar apoio para sanar o deslocamento que direcionou a sexualidade para fora e não para dentro da vida do casal e da família.


E se a pessoa achar mais tempo a psicoterapia analítica consegue também deixar a pessoas mais tranquila, consciente da causas edípicas, dos desvios energéticos e usufruir a intimidade sem medo, dor e descontentamento.


O vinculo está em crise e isso se reflete na dificuldade com o psicólogo, não querem psicoterapia toda semana, mudam o protocolo para outros investimentos e não há crescimento e evitam no tratamento envolvimento emocional.


Só medicamentos não resolve, falar e se relacionar com um profissional, não apensas comprar a solução poderá ajudar.


Sônia Augusta

Psicóloga Clínica

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