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SUICÍDIO

Cerca de 11 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no Brasil. De acordo com o primeiro boletim epidemiológico sobre suicídio, divulgado pelo Ministério da Saúde, entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no país, 79% delas são homens e 21% são mulheres. Esse índice cresce a cada ano, estamos em 2018 e os dados não foram atualizados. Quem mais são afetados são os Idosos acima de 70 anos 8,9% a cada 100 mil habitantes e em segundo lugar os jovens de entre 20-29 anos 6,8 a cada 100 mil habitantes e Adolescentes dos 15 -19 anos 5,6 por 100 mil habitantes.


Esse tema que sempre aparece na clínica, já que vem carregado de culpa por aqueles que a trazem, já que quem fica a questão sempre é: “não percebi”, “será que poderia fazer alguma coisa”. Não sinta-se culpado.


O livro A morte pode esperar? Clínica psicanalítica do suicídio. Para essa autora, o homem só suporta a vida porque tem na morte uma escolha, o que a torna suportável:

O homem suporta a vida pela possibilidade que dispõe de matar-se. A morte é o que torna a vida possível. A vida é real e a morte simbólica, e se o real é o impossível, viver é o exercício da impossibilidade. E o suicídio é uma escolha capaz de dar um significado à vida quando ela chega ao limite da impossibilidade “(CARVALHO, 2014, p. 145).


Para cada estrutura de personalidade existe uma causa que leva ao ato de por fim a vida, tentarei ser clara, já que é difícil explicar com tantos conceitos da psicanálise na mente. Primeiro gostaria de abordar o porque os idosos e os jovens são os que mais cometem suicídio. Ambos estão em fase de crises; adolescentes e jovens estão com muitas transformações, mudanças, muitos gozos, desejos, anseios, pulsões incontroladas, exigências, cobranças e impotências(em mundo confuso); os Idosos diante de limites, relações desvitalizadas, doenças, arrependimentos, dores, perdas, lutos e consequências de suas vidas(geralmente pouco programada e semeada para o sucesso). Não fomos feitos para sofrer e essa foi a saída para quem tem muito sofrimento e não enxerga o futuro com perspectivas.


O sujeito que escolhe morrer, geralmente está submerso em uma angústia avassaladora. Dito de outra forma, é um sujeito atravessado pela irrupção do real no corpo. A angústia é sempre angústia de castração, portanto angústia de quem está vivo, angústia do homem, no corpo, na vida. A morte não é a causa da angústia, mas uma forma de exterminá-la. Na verdade a pessoa quer fugir da Dor de existir.


Na neurose obsessiva, o sujeito normalmente está do lado masculino, gozando de seu objeto, dominando, controlando e para o obsessivo, ao perder o objeto que sustentava seu desejo e seu gozo: parceiro(a), emprego, posição, prestígio, dinheiro..., perde uma posição de gozo, causando um abalo na sua fantasia revelando cruamente a falta no Outro. Para essa estrutura é muito difícil perder, já que tem dificuldade de adaptar-se a falta. Sem a fantasia, o obsessivo é tomado por puro gozo, depara-se com a falta no Outro, a sua própria falta e sua condição de objeto dejeto. Assim, pode escolher morrer, passando ao ato ou por meio de um acting.


Na histeria é a perda do amor e a consequente perda de lugar de objeto causa de desejo de um homem que leva a histérica ao suicídio. "É uma recusa dramática do sujeito em perder o lugar de objeto que causava o desejo para um homem" (Ibid., p. 164). A histérica busca o suicídio normalmente por meio de um acting out, em uma tentativa desesperada de apelar ao Outro para que lhe "restitua o amor e o lugar de complemento de seu desejo, opondo-se a reduzir-se a puro resto" (Ibid., p. 165).


Para quem tem transtornos mentais : Psicóticos, Bipolares, Borderlines, esquizofrênicos... São estruturas faltosas, instáveis, frgilizadase sentimentos de aniquilamento são intensos. Geralmente estão sem contato com relações positivas, vícios, “falso self”, traições, contradições, coisas escondidas e pouco dignas de serem reveladas, transgressões, incoerências, raiva, dívidas,


ciume, inveja e esse distanciamento de si mesmo leva a por um fim a tandos conflitos e sofrimentos.


Por isso para uma estrutura psicótica existe o que chamamos de a foraclusão do nome-do-pai faz do grande Outro, um Outro sem a barra, consistente, sem furo. Traduzindo essas pessoas acham-se invalidadas por Instituições, Família, Religião... não se submetem a leis, parâmetros, padrões... e esse gládio interno do que vem de fora para a mente é invasivo e o repúdio pode até provocar: alucinações auditivas, visuais e principalmente os fenômenos de linguagem.


O psicótico se vê totalmente submetido ao gozo do Outro. Então, quando se suicida é, ou para sair dessa condição insuportável de objeto de gozo do Outro, ou para obedecer a uma ordem que vem do Outro, de que se mate. O psicótico se suicida sempre em função desse gozo invasivo e imperioso do Outro, ao qual está submetido, por estrutura. Quer ficar “livre”.


A grande notícia é que Psicanálise se debruça a mais de 100 anos para dar a todas as estruturas suporte para suas dores, desespero, angústias e furos na estrutura. Em alguns casos o recurso de medicamentos psiquiátricos se faz necessário. Portanto é fala que levara a elaboração e aproximação com o Real, pois o suicídio é a fuga do real.


A clínica psicanalítica constrói possibilidades e faz a pessoa recorrer a vida e se adaptar ao mundo e suas vicissitudes.



Sônia Augusta

Psicóloga Clínica

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